Entrevista com Pilar Neves

Vamos falar sobre igualdade de gênero e diversidade

O relatório Global Gender Gap Report 2018 revelou que a Noruega é um dos quatorze países do ranking que alcançaram pelo menos 80% de paridade em relação as oportunidades e participações econômicas. Em relação ao empoderamento político, a Noruega é novamente destacada com 50% de participação feminina e registra um leve aumento, subindo uma posição e assumindo o terceiro lugar no mundo. No geral, o relatório classifica a Noruega como o segundo maior país em igualdade de gênero, com menos de 17% de disparidade entre homens e mulheres. O documento aponta que o país continua aprimorando seu índice ano após ano, melhorando os números de mulheres em cargos legislativos, oficiais e gerênciais.

 

Pilar Neves é gerente de projetos da Innovation Norway South America. Ela é responsável pelas áreas de gênero e diversidade e tecnologia (educação, agricultura e saúde). Ela vai falar hoje sobre igualdade de gênero e diversidade dentro das empresas e por que isso é tão importante.

Por que é tão relevante falar sobre diversidade nos negócios?

De acordo com relatório McKinsey é claro que as empresas com maior diversidade na força de trabalho conseguem perfomar melhor financeiramente. As empresas que investem na diversidade racial e étnica são 30% mais propensas a terem retorno financeiro acima de suas respectivas médias da indústria nacional, e quando se trata de diversidade de gênero, elas são 15% mais propensas. É mais do que comprovado que falar em diversidade hoje nas empresas é rentável, não sendo apenas uma questão de recursos humanos, mas também uma meta a ser alcançada pela empresa. Atualmente, é crucial que as empresas percebam que atrair apenas metade do banco de talentos do mercado não é lucrativo, justo, igual e, o mais importante, não é sustentável no longo prazo. Os negócios mudaram e as empresas precisam estar mais conscientes dessa nova realidade de negócios.

 

Como foi a reação do público no painel “Talk Show - Tecnologia não tem gênero” durante o Norway Tech Day no ano passado?

Nós tivemos um retorno muito bom do público. No final, os participantes vieram falar comigo sobre a importância de discutir sobre a baixa representatividade das mulheres no cenário majoritariamente masculino e a baixa aceitação daquelas mulheres que conseguem ocupar cargos de liderança técnica. Uma gerente técnica da IBM relatou os desafios enfrentados por ela ao gerenciar um projeto de tecnologia na Índia. E outra panelista também engenheira que, apesar de ter recebido uma proposta de promoção para gerenciar uma equipe grande, optou por permanecer como responsável técnica de sua área, pois para ela era importante continuar lidando com clientes, que ela mesma fez ao longo de sua carreira, e continuar  na posição de liderança técnica ao dar a decisão final de compra ou não de equipamentos e máquinas para a empresa. Esse é também um ponto muito desafiador para as mulheres, quando elas optam por seguirem sua carreira na área técnicas e não na área de gerenciamento.

 

Quais são os planos para abordar o tema na Norway Brazil Weeks 2019?

Este ano abordaremos o tema Diversidade e Inclusão (D&I) durante o seminário de Edtech em São Paulo. As empresas usam a tecnologia para promover a diversidade e a inclusão, que estão se tornando rapidamente cruciais no desenvolvimento dos negócios. Diretores, executivos e líderes de negócios estão reconhecendo como as culturas tóxicas no local de trabalho podem impactar negativamente sua marca, seu desempenho financeiro e sua capacidade de atrair e reter talentos. Hoje é muito mais claro que D& I é uma questão institucional e estratégica de posicionamento da empresa e, portanto, responsabilidade de todos. Anteriormente, uma má conduta de um funcionário era tratado como individual e delegado somente ao departamento de RH. Hoje em dia esse cenário é diferente. Através da inovação tecnológica, é possível conseguir uma melhor conscientização quanto à diversidade e inclusão. As empresas podem facilmente construir consistência e escalabilidade, independentemente de aplicarem as oportunidades de gestão de pessoas, desenvolvimento, aprendizagem e educação.